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Saldo negativo das contas externas chega a 6 bilhões de dólares em março

Déficit das contas externas em março foi mais que o dobro do registrado em 2025, segundo o Banco Central.

24/04/2026 às 18:46
Por: Redação

Em março, o Banco Central informou que as contas externas do Brasil apresentaram déficit de 6,036 bilhões de dólares, valor mais que o dobro do apurado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de 2,930 bilhões de dólares em transações correntes. Esse dado engloba operações de compra e venda de mercadorias, serviços e transferências de renda realizadas entre o país e o exterior.

 

No acumulado dos 12 meses encerrados em março, o resultado negativo das transações correntes somou 64,274 bilhões de dólares, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), que reúne todos os bens e serviços produzidos no país. Apesar do aumento verificado em março, esse déficit está em trajetória de queda desde setembro de 2025. Em comparação ao mesmo período encerrado em março de 2025, quando o déficit foi de 74,383 bilhões de dólares (3,47% do PIB), houve diminuição nesse saldo negativo.

 

A ampliação do déficit em março deste ano, em relação ao mesmo mês do ano anterior, ocorreu devido à redução de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, resultado de elevação nas importações. O déficit em renda primária também cresceu em 1,1 bilhão de dólares, enquanto o déficit nos serviços aumentou 600 milhões de dólares.

 

Investimentos e financiamento do déficit

 

Segundo análise do Banco Central, o cenário das transações correntes é considerado robusto, e o déficit das contas externas tem sido financiado principalmente por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP), que apresentam bom desempenho tanto em fluxos quanto em estoques.

 

Em março deste ano, o IDP alcançou 6,037 bilhões de dólares, ligeiramente abaixo do registrado em março de 2025, que foi de 6,295 bilhões de dólares. Em situações de déficit nas transações correntes, o país precisa cobrir esse saldo negativo com investimentos estrangeiros ou contratação de empréstimos externos. O investimento direto é apontado como a melhor alternativa de financiamento, pois é direcionado ao setor produtivo e possui perfil de longo prazo.

 

No acumulado de 12 meses até março, o estoque desses investimentos atingiu 75,660 bilhões de dólares, correspondente a 3,18% do PIB, contra 75,918 bilhões de dólares (3,24% do PIB) no mês anterior e 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB) no período de 12 meses encerrado em março de 2025.

 

Quanto aos investimentos em carteira no mercado interno, houve uma retirada líquida de 2,867 bilhões de dólares em março, predominantemente em títulos de dívida. No acumulado dos últimos 12 meses, esses investimentos totalizaram ingresso líquido de 28,4 bilhões de dólares, número inferior à entrada de 29,5 bilhões de dólares registrada nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, mas superior ao fluxo negativo de 6,8 bilhões de dólares observado até março de 2025.

 

As reservas internacionais do país fecharam março em 362,002 bilhões de dólares, representando redução de 9,072 bilhões de dólares em relação ao mês anterior.

 

Comércio exterior e contas de serviços

 

No terceiro mês deste ano, as exportações brasileiras de bens totalizaram 31,738 bilhões de dólares, registrando crescimento de 9,5% sobre março de 2025. Por outro lado, as importações atingiram 26,118 bilhões de dólares, com avanço de 19,9% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

 

O saldo da balança comercial ficou positivo em 5,620 bilhões de dólares em março, contraste com o déficit de 7,219 bilhões de dólares observado no mesmo mês de 2025.

 

A conta de serviços, que engloba despesas com viagens internacionais, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicações e propriedade intelectual, entre outros, apresentou déficit de 4,785 bilhões de dólares em março, ante um saldo negativo de 4,216 bilhões de dólares em março de 2025.

 

O déficit na conta de renda primária, que envolve pagamentos de lucros e dividendos de empresas, além de juros e salários, chegou a 7,384 bilhões de dólares, aumento de 17,8% em relação ao resultado de março do ano anterior, que foi de 6,267 bilhões de dólares. Tradicionalmente, esse item tende a apresentar saldo negativo, já que há mais investidores estrangeiros no Brasil do que brasileiros aplicando fora do país, o que resulta no envio de lucros para o exterior.

 

A conta de renda secundária, composta por transferências como doações e remessas internacionais sem contrapartida em bens ou serviços, obteve superávit de 512 milhões de dólares em março, acima dos 335 milhões de dólares registrados no mesmo mês de 2025.

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