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Transição energética ganha destaque em conferência internacional na Colômbia

Evento em Santa Marta reúne representantes de mais de 60 países para discutir redução da dependência dos combustíveis fósseis

24/04/2026 às 19:47
Por: Redação

A cidade de Santa Marta, na Colômbia, foi escolhida para sediar o primeiro encontro internacional dedicado à transição para longe dos combustíveis fósseis, iniciado na sexta-feira, 24. Nesta conferência, representantes de mais de 60 países estão reunidos com o objetivo de reduzir a produção, o consumo e a dependência global do petróleo.

 

O evento tem como um de seus principais focos a elaboração do chamado Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, um documento cuja proposta partiu da presidência brasileira durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30.

 

De acordo com Ana Toni, diretora-executiva da COP30, o conflito envolvendo o Irã e a instabilidade nos preços do petróleo trouxeram à tona os riscos da dependência mundial de combustíveis fósseis, ressaltando a relevância da transição energética.

 

Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis, dessa dependência que temos, é absolutamente necessário. Não só por questões climáticas, mas por questões econômicas, energéticas e de segurança.

 

Segundo Ana Toni, embora não se previsse esse cenário de instabilidade, o Mapa do Caminho se consolidou como um espaço de discussão e revisão dos aspectos energéticos, econômicos e de segurança relacionados ao uso de combustíveis fósseis.

 

O documento, que deve ser finalizado até novembro, trará orientações específicas para os países em relação à transição energética e à diminuição das emissões de gases poluentes que contribuem para as mudanças climáticas.

 

Conferência amplia debate com sociedade civil e setores produtivos

A participação da presidência da COP30 tem o objetivo principal de ouvir diferentes setores, como sociedade civil, povos indígenas e governos. Ana Toni afirmou que as demandas desses grupos servirão de base para o aprimoramento do Mapa do Caminho.

 

A presidência da COP30 está indo lá muito mais para ouvir do que para falar. A gente espera poder trazer muito do que vai ser o debate em Santa Marta. Queremos escutar o que os países, sociedade civil, grupos indígenas estão demandando, querendo.

 

Ela acrescentou que a plataforma de debates já tem sido desenvolvida com base nas demandas identificadas durante a própria COP30. A reunião na Colômbia, segundo a diretora-executiva, é mais uma oportunidade para colher novas opiniões e ajustar o documento orientador.

 

O evento é fruto da iniciativa conjunta entre Colômbia e Países Baixos, e a participação brasileira visa garantir que o Mapa do Caminho reflita os pontos discutidos em Santa Marta.

 

Diversidade de estratégias para a transição

A decisão pela transição para longe dos combustíveis fósseis já foi tomada durante a COP28, realizada em Dubai. O atual esforço, segundo Ana Toni, está em detalhar os passos seguintes e estabelecer a sequência de ações para a implementação efetiva desse processo.

 

A diretora-executiva destaca que, embora a decisão exija consenso, a execução das medidas pode ser adaptada conforme a realidade de cada país. Para alguns, a eletrificação será a prioridade; para outros, investir em combustíveis sustentáveis pode ser mais relevante. O objetivo, portanto, é demonstrar que existem múltiplos caminhos para colocar em prática as resoluções da COP28.

 

Participação global e exemplos práticos

Cerca de 60 países estão presentes na conferência, e Ana Toni ressalta que a maioria da população mundial vive em nações importadoras de combustíveis fósseis, o que revela a importância do tema para produtores e consumidores. Ela cita como exemplo a Etiópia, que, sendo um país consumidor, optou por não importar mais veículos movidos a combustão, medida classificada como fundamental para o avanço da transição energética.

 

No processo de construção do Mapa do Caminho, mais de 250 contribuições de países e entidades não estatais foram recebidas, evidenciando o interesse global por discutir os próximos passos da transição energética. A conferência em Santa Marta é considerada um fórum relevante para amadurecer as propostas concretas, uma vez que a decisão de avançar já foi tomada.

 

Desafios na elaboração do documento orientador

O prazo para envio de contribuições ao Mapa do Caminho foi encerrado em 10 de abril. Ana Toni aponta que o grande volume de informações recebidas exigirá priorização criteriosa das recomendações, já que cada país apresenta circunstâncias próprias em relação à dependência de combustíveis fósseis.

 

Ela reforça que, sem um planejamento cuidadoso, o encerramento dessa dependência pode trazer impactos negativos, como já ocorre atualmente em escala global.

 

Estrutura do Mapa do Caminho será baseada em diferentes perspectivas

Segundo Ana Toni, já existe uma estrutura preliminar para o documento, composta por capítulos temáticos, cuja manutenção dependerá da escuta ampla de todas as partes envolvidas. O primeiro capítulo abordará os riscos da não realização da transição, contemplando aspectos climáticos, naturais, políticos, de segurança e demais ameaças identificadas.

 

O segundo capítulo analisará a transição sob o ponto de vista dos produtores de combustíveis fósseis, incluindo tanto países quanto empresas, além de considerar também as perspectivas dos consumidores, como os setores elétrico, de transporte e industrial. O foco será compreender os impactos da dependência e as oportunidades para acelerar o processo em cada segmento.

 

Uma terceira seção do documento discutirá a dependência econômica dos países em relação aos combustíveis fósseis, reconhecendo que as situações econômicas variam amplamente. A proposta é mostrar que, inclusive para governos subnacionais, como prefeituras, a dependência não é apenas energética, mas também econômica.

 

O último capítulo será dedicado às recomendações da equipe para o cenário mundial, indo além das contribuições para a próxima conferência climática, a COP31.

 

Transição planejada e global

Sobre a possibilidade de uma transição planejada, justa e sensível às diferentes realidades, Ana Toni afirma que esse processo já está em curso. De acordo com ela, o mundo avança com um "pé no acelerador" das energias renováveis, armazenamento e eficiência, enquanto ainda mantém investimentos em combustíveis fósseis.

 

O propósito atual é reduzir gradualmente a dependência dos fósseis, acelerando a transição já iniciada. Toni defende que a justiça social é condição indispensável para o sucesso das mudanças e destaca que novas rodadas de balanços e conferências, como a COP31 e a COP32, contribuirão para amadurecer as experiências e identificar os caminhos que podem ser acelerados.

 

Eu não tenho nenhuma dúvida que essa mudança tem que ser justa, porque, se não, ela não vai acontecer. Eu acho que a gente tem uma oportunidade única de continuar debatendo esse tema. Vai ter aí COP31, COP32, vai ter o segundo Balanço Global, para que a gente amadureça o que está funcionando. Para a gente chegar nesse novo Balanço Global muito mais capazes de falar o que deve e pode ser acelerado daqui para frente.

 

Ela finaliza expressando otimismo quanto à continuidade dos debates políticos necessários para a tomada de decisões acertadas no processo de transição energética mundial.

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