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Interesse feminino em esportes cresce com destaque para skate e futebol

Estudo do Ibope Repucom aponta aumento de 25% no interesse de mulheres por esportes e destaque para skate e futebol feminino entre 2020 e 2025

24/04/2026 às 21:19
Por: Redação

O cenário esportivo brasileiro tem vivenciado um aumento significativo no interesse de mulheres por diversas modalidades, especialmente após conquistas expressivas em eventos internacionais. O judô feminino, por exemplo, destacou-se ao garantir medalhas olímpicas importantes para o Brasil, tornando-se a modalidade que mais rendeu premiações ao país em Jogos Olímpicos. O percurso vitorioso começou em 2008, nos Jogos de Pequim, quando Ketleyn Quadros alcançou o bronze, tornando-se a primeira judoca brasileira a subir ao pódio olímpico. Esse resultado serviu de inspiração para futuras atletas, como Larissa Pimenta, que repetiu o feito duas vezes, nas edições de Tóquio em 2021 e Paris em 2024.

 

Larissa Pimenta comentou sobre a relevância dessas referências femininas no ambiente esportivo nacional, enfatizando o impacto positivo que elas causam na motivação de novas atletas. Ela afirmou:

 

“O Brasil é um país que está começando a ter muitas referências de mulheres no esporte. O que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”.

 

Dados do Instituto Ibope Repucom apontam que, entre 2020 e 2025, o crescimento do interesse feminino por esportes foi de 25%, superando a média nacional, que ficou em 19%. Entre todas as modalidades, o skate destacou-se por apresentar o maior avanço, impulsionado pelas medalhas olímpicas – prata em Tóquio e bronze em Paris – e pelas quatro conquistas mundiais de Rayssa Leal. O interesse das mulheres pelo skate evoluiu 49% no período.

 

Danilo Amancio, coordenador do Ibope Repucom, analisou o fenômeno. Segundo ele, a ascensão de Rayssa Leal como figura aspiracional no skate contribuiu para este crescimento. Ele explicou que o skate, ao se tornar modalidade olímpica nos Jogos de Tóquio, associado ao desempenho e às medalhas conquistadas pelo Brasil, atingiu um novo patamar, impactando diretamente a visibilidade e o engajamento feminino.

 

Mudanças no cenário do futebol feminino e novas referências

 

Embora o futebol ainda não seja o esporte que mais desperta o interesse das mulheres no Brasil, sua popularidade está aumentando. O levantamento do Ibope Repucom revela que 64% das mulheres se consideram fãs da modalidade, índice que coloca o futebol empatado com a natação e o vôlei de praia, ambos na terceira posição. A ginástica artística ocupa a liderança, com 72%, seguida pelo vôlei de quadra, com 69%.

 

O mesmo estudo indica que o crescimento do interesse feminino no futebol tem sido de aproximadamente 5% ao ano. Entre os motivos apontados estão a ampliação da visibilidade de campeonatos e torneios femininos, principalmente por meio da televisão aberta, e as novas alternativas de interação oferecidas pelo mundo digital, que facilitam o acompanhamento de atletas e o surgimento de novos ídolos.

 

Durante evento em que o Sesi São Paulo foi homenageado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com o selo de Clube Formador pelo trabalho desenvolvido nas categorias de base do futebol feminino, jogadoras da equipe sub-15 destacaram que suas referências vão além das atletas tradicionais, como Formiga, Cristiane e Marta. Marília, volante do time, declarou ser admiradora de Angelina, capitã da seleção brasileira e jogadora do Orlando Pride, dos Estados Unidos, atuando na mesma posição que ela. Já Maria Teresa, conhecida como Teca, revelou admiração pela goleira Lorena, que joga no Kansas City Current, também dos Estados Unidos, mas afirmou que sua principal referência é uma atleta já aposentada que já foi adversária do Brasil. Ela disse:

 

“A [jogadora] que mais me inspira é a [ex-goleira norte-americana] Hope Solo. Era fora de série e acho que tinha um jeito de jogar parecido com o meu, o que é intrigante”.

 

No cenário nacional, o Campeonato Brasileiro Feminino de futebol é transmitido ao vivo pela TV Brasil, ampliando o acesso e o interesse do público. No torneio Fifa Series, um campeonato amistoso promovido pela Federação Internacional da modalidade (Fifa) e realizado em Cuiabá, a seleção brasileira conquistou o título após vitórias sobre Coreia do Sul, Zâmbia e Canadá. Nesta ocasião, 11 das jogadoras que compuseram o elenco atuam regularmente no campeonato brasileiro feminino.

 

Expectativas para a Copa Feminina e impacto dos grandes eventos

 

O interesse das mulheres pelo futebol também é percebido em relação à Copa do Mundo masculina, com 71% declarando acompanhar o evento de 2026. Em 2014, data da última edição do torneio no Brasil, esse percentual era de 59%.

 

Em 2027, o Brasil será, pela primeira vez, país-sede da Copa do Mundo Feminina. Segundo a pesquisa do Ibope Repucom, 65% dos brasileiros, entre homens e mulheres, se consideram fãs do evento. De acordo com Danilo Amancio, há grande possibilidade de os índices de interesse aumentarem até o ano da competição, podendo até ultrapassar os registrados em 2014, quando o Mundial masculino alcançou 67% de adesão do público brasileiro.

 

O coordenador destacou que a realização da Copa no país, acompanhada de uma ampla cobertura midiática, tende a estimular ainda mais o interesse, tanto de mulheres quanto do público em geral, pelo futebol feminino. Segundo ele, a conjunção da Copa masculina em 2026 e, em seguida, o Mundial feminino no Brasil, será fundamental para acelerar o crescimento desse engajamento no esporte.

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