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Orquestra Pizindim lança álbum e resgata arranjos inéditos de Pixinguinha

Grupo de Brasília marca Dia Nacional do Choro com single e show de pré-lançamento de disco que celebra a história e a contemporaneidade do gênero.

23/04/2026 às 12:52
Por: Redação

A Orquestra Pizindim, de Brasília, celebra o Dia Nacional do Choro, nesta quinta-feira, 23 de abril, com o lançamento do single “O pulo do sapo”. A composição, um maxixe de autoria de Leonardo Benon (Léo Benon), cavaquinista do grupo, presta homenagem a Evandro Barcellos (1961-2016), figura essencial na fundação do Clube do Choro da capital federal, em 1977.

 

A faixa já se encontra disponível nas principais plataformas digitais de música, marcando a primeira revelação do aguardado álbum da Orquestra Pizindim. O conjunto é composto por 13 músicos fixos, que se destacam pela maestria em instrumentos de sopro, cordas e percussão. A Pizindim se estabelece como a primeira orquestra brasiliense totalmente dedicada ao choro, seguindo os passos históricos de Evandro Barcellos na cultura local.

 

Embora o álbum completo ainda esteja em fase de finalização e sem data oficial para lançamento, algumas de suas músicas, incluindo “O Pulo do Sapo”, serão apresentadas em primeira mão ao vivo. O concerto de pré-lançamento acontecerá na Escola de Música de Brasília, no Teatro Levino de Alcântara, às 20h desta sexta-feira, 24 de abril.

 

A formação inicial da Orquestra Pizindim remonta a três anos atrás, quando os músicos se reuniram pela primeira vez para comemorar o Dia Nacional do Choro. A data, 23 de abril, foi oficialmente estabelecida em 2000, por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda, durante o período em que residia em Brasília.

 

Resgate do Legado de Pixinguinha

 

O conceito por trás do álbum da Orquestra Pizindim mergulha profundamente na trajetória do choro, evidenciado já pelo próprio nome do conjunto. “Pizindim” é uma clara alusão a Alfredo da Rocha Vianna Filho, o célebre instrumentista, compositor e maestro Pixinguinha (1897-1973). Este apelido de infância acompanhou o músico que se tornaria uma das maiores expressões artísticas do Brasil.

 

A Pizindim se propôs a explorar e valorizar uma faceta de Pixinguinha menos reconhecida: sua vasta obra como arranjador, desenvolvida entre o final da década de 1920 e os anos 1950.

 

“Acho que só quem é do universo do choro é que sabe de fato quem é Pixinguinha e qual é a sua importância. A maioria das pessoas o conhece apenas como o compositor de ‘Carinhoso’”, afirma Bruno Patrício, saxofonista, diretor musical da Orquestra Pizindim e produtor executivo do álbum.

 

Obras Inéditas da Central do Brasil

 

O disco da Orquestra Pizindim inclui três composições já gravadas que destacam os arranjos de Pixinguinha. Duas delas são a valsa “Só tu não sentes” e a marchinha “Tenho um desejo”, criadas por J. F. Fonseca Costa, conhecido como “Costinha”, um pianista do Rio de Janeiro.

 

Contemporâneo de Ernesto Nazareth (1863–1934), Costinha era funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, uma importante via que conectava o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essa ferrovia empregava muitos chorões da época, como o violonista Satyro Bilhar (1848-1926) e os compositores Cândido das Neves (1899-1934) e Juca Kalut (1857-1822).

 

As partituras dos arranjos de Pixinguinha para essas duas músicas são datadas de 1957 e estão preservadas no acervo do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. Bruno Patrício ressalta a singularidade dessas descobertas, mencionando que “são dois arranjos inéditos para músicas, praticamente, inéditas”, com pouquíssimas gravações anteriores que acabaram esquecidas.

 

Outra peça musical redescoberta pela Orquestra Pizindim e que recebeu o toque de arranjador de Pixinguinha é a polca "Alfredinho no Choro". Gravada originalmente em 1910, a música ganhou um novo arranjo de Pixinguinha em 1949. O autor da composição é Alfredinho Flautim, pseudônimo de Alfredo José Rodrigues (1894-1958).

 

Clássicos e Novidades no Repertório

 

Duas faixas do próprio Pixinguinha compõem o álbum e serão apresentadas no show da Orquestra Pizindim. Uma delas é o maxixe “Dando topada”, que integrou a trilha sonora de “Um dia qualquer”, o primeiro filme de ficção produzido no Pará, dirigido por Líbero Luxardo em 1965.

 

O nome da música, conforme explica Bruno Patrício, provavelmente se deve às pausas inesperadas em sua execução. “Sempre tem uma topada ali para todos os instrumentos”, complementa o diretor musical.

 

A outra composição de Pixinguinha presente no disco é o choro “Carinhoso”. Apesar de ser uma das canções mais gravadas no Brasil, sua trajetória até o sucesso foi cheia de percalços. Composta em 1917, só foi editada em disco em 1928 e, inicialmente, recebeu críticas negativas por uma suposta influência do jazz.

 

O reconhecimento público veio apenas em 1937, de forma casual, com a gravação de Orlando Silva. O famoso “cantor das multidões” interpretou a canção um ano após João de Barro (Braguinha) ter adicionado a letra para o espetáculo “Parada das Maravilhas”.

 

Dada a rica e complexa história de “Carinhoso”, Bruno Patrício optou por criar um arranjo que combinasse elementos de diversas montagens musicais da canção. Ele descreve o processo: “Fui pescando o que eu achava de mais representativo”.

 

Choro Autoral e Colaborações

 

Além de resgatar e reverenciar o cancioneiro brasileiro, a Orquestra Pizindim também demonstra a vitalidade contemporânea do choro por meio de composições de seus próprios integrantes. Exemplos incluem o já mencionado “O pulo do sapo”, bem como “Salve João da Baiana” e “Maxixe Pizindim”, ambas criadas por Bruno Patrício.

 

O álbum ainda apresenta faixas de Paulinho da Viola e de Hamilton de Holanda. Do renomado bandolinista, a Pizindim executa “Maxixe do César”, uma homenagem de Hamilton ao seu irmão Fernando César, violonista de 7 cordas e membro da orquestra, amplamente reconhecido como um dos grandes chorões da atualidade.

 

A escolha de Paulinho da Viola é o choro “Só o tempo”, composta em 1982. A letra da música explora temas de aprendizado amoroso e o balanço de sentimentos ao longo da vida. Na gravação, todos os naipes da Orquestra Pizindim acompanham a cantora Ana Reis, também de Brasília, que tem sua própria contribuição à história do choro.

 

A gravação do álbum da Pizindim foi iniciada em novembro do ano passado, com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. A orquestra planeja uma versão física em LP do disco e uma turnê pelas capitais estaduais para apresentar seu trabalho, caso consiga patrocínio em outros editais culturais.

 

Informações sobre o Lançamento e o Show

 

Orquestra Pizindim

 

O single “O pulo do sapo”, de Léo Benon, está disponível a partir desta quinta-feira, 23 de abril, nas plataformas sonoras digitais.

 

O show de pré-lançamento ocorre na Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara), localizada no SGAS II SGAS Quadra 602, amanhã, sexta-feira, 24 de abril, às 20h.

 

A Orquestra Pizindim é composta pelos seguintes músicos:

 

Adil Silva (bombardino e trombone)

 

Alex Diego (1º trompete)

 

André Lindolpho (Sousafone)

 

Bruno Patrício (saxofone e direção musical)

 

Enrique Sanches (membro listado)

 

Fernando César (violão 7 cordas)

 

Israel Ronner (tuba)

 

Jéssica Carvalho (percussão)

 

Juninho Alvarenga (percussão)

 

Júnior Viegas (percussão)

 

Leander Motta (bateria)

 

Léo Benon (cavaquinho)

 

Nathália Marques (percussão)

 

Peniel Ramos (2º trompete)

 

Renata Menezes (clarineta)

 

Sérgio Morai (flauta e flautim)

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