No momento de elaborar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), muitos brasileiros se deparam com a dúvida sobre qual opção escolher: o modelo completo ou o simplificado, para obter a menor carga tributária possível ou maximizar a restituição.
A escolha entre adotar o desconto simplificado ou informar todas as deduções legais pode impactar consideravelmente o saldo a pagar ou o valor da restituição.
De acordo com Gilder Daniel Torres, professor de ciências contábeis da Faculdade Anhanguera, o modelo completo é mais indicado para quem possui diversos tipos de despesas dedutíveis, como gastos com saúde, educação, previdência privada e dependentes, já que permite detalhar cada uma dessas despesas. Por outro lado, o modelo simplificado oferece um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis, dispensando a comprovação de despesas, sendo mais apropriado para quem não acumula muitos gastos dedutíveis.
No modelo completo, as despesas com educação são um dos pilares para dedução no cálculo do imposto. Contudo, apenas certos tipos de pagamentos são aceitos: mensalidades escolares, cursos de graduação e cursos técnicos podem ser abatidos, desde que respeitado o limite anual estabelecido pela Receita Federal. Gastos com material escolar e cursos de idiomas não entram na lista de deduções permitidas.
Por sua vez, as despesas com saúde se destacam por não possuírem limite de valor para dedução. Contudo, é preciso atenção para as restrições: não são aceitos procedimentos exclusivamente estéticos, compras de medicamentos em farmácias ou despesas com acompanhantes em internações hospitalares.
Diante dessas regras, é recomendado ao contribuinte realizar simulações nos dois modelos. Informando detalhadamente os gastos com saúde, educação e dependentes, é possível verificar qual modelo resulta em menor imposto a pagar ou maior valor a restituir.
Paulo Pêgas, vice-presidente de controle interno do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRC-RJ), orienta:
“O contribuinte deve informar as deduções que tem, porque o próprio programa da Receita Federal informa quanto você teria que pagar no modelo completo e quanto você teria que pagar no modelo simplificado. E aí, você escolhe: o menor valor a pagar ou o maior valor a restituir.”
A professora Ahiram Cardoso recomenda que, ao utilizar a declaração completa, o contribuinte inclua todos os gastos de saúde, educação e despesas com dependentes, desde que devidamente comprovados. Entre os gastos de saúde, podem ser computados pagamentos a médicos, dentistas, hospitais e planos de saúde, sem limitação de valor. No caso da educação, vale o limite anual autorizado pela Receita. As despesas dos dependentes também devem ser incluídas para melhorar o resultado da declaração.
Embora o modelo simplificado seja mais fácil de preencher, ele tende a ser mais vantajoso apenas para quem possui poucos dependentes e gastos reduzidos com saúde e educação. Aqueles que acumulam despesas maiores nessas áreas podem se beneficiar do modelo completo.
Para assegurar o melhor resultado financeiro na declaração do IRPF, é essencial manter todos os recibos organizados e comparar os dois modelos diretamente no sistema disponibilizado pela Receita Federal, optando assim pelo que oferecer a maior restituição ou o menor pagamento de imposto.