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Cientistas lançam painel global para acelerar transição energética

Iniciativa inédita reúne especialistas para fornecer diretrizes a governos e resgatar o papel da ciência nas decisões climáticas.

25/04/2026 às 21:33
Por: Redação

Um grupo de especialistas de diversas áreas, como clima, economia e tecnologia, anunciou a formação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). A criação ocorreu no sábado (25), durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, sediada em Santa Marta, na Colômbia.

 

A principal finalidade do SPGET é oferecer suporte a governos no processo global de transição energética, elaborando recomendações fundamentadas em evidências para direcionar políticas públicas e ações efetivas rumo à descarbonização.

 

O evento de lançamento contou com a presença de figuras proeminentes da comunidade científica internacional. Entre eles estavam os brasileiros Carlos Nobre, reconhecido por seus estudos sobre a Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do sueco Johan Rockström, que dirige o Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.

 

“A transição energética é complexa e envolve economia, meio ambiente e justiça social. A ciência pode atuar como ponte entre países que avançam mais rápido e aqueles que ainda estão hesitantes. O painel é uma forma de integrar todos gradualmente”, disse Rockström.


A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, também participou do anúncio e enfatizou a importância da iniciativa para preencher uma lacuna histórica.

 

“Este painel não só repara uma dívida ao criar, pela primeira vez, um organismo dedicado à superação dos combustíveis fósseis, como também discute outros desafios sociais e econômicos dessa transformação”, disse Irene.


“É o primeiro concebido para reunir, ao longo dos próximos cinco anos, as evidências científicas que permitirão que cidades, regiões, países e coalizões deem esse grande salto”, completou.


O painel também se propõe a intensificar a colaboração entre o meio acadêmico e os governos, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias coordenadas que visem à redução das emissões de gases de efeito estufa. As ações planejadas incluem a produção de recomendações técnicas, o monitoramento de políticas e a integração com processos internacionais relevantes, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

 

Segundo Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, a intenção é restaurar a posição central da ciência como guia para as decisões políticas essenciais sobre clima e meio ambiente.

 

“Isso parece óbvio, mas vem sendo um pouco esquecido no âmbito da Convenção do Clima. Antigamente, todos os grandes encontros para debater mudança climática, como a Eco-92, começaram sob a égide de algum relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática”, disse Claudio.


“Isso deixou de acontecer de uns anos para cá. A gente chegou ao cúmulo de em 2018, na COP24, um grande relatório do IPCC, que tinha sido inclusive encomendado pela Convenção do Clima, ter sido relegado a uma nota de rodapé na decisão da COP”, completou.


Contexto da Conferência de Santa Marta

 

A Conferência de Santa Marta reúne representantes de 57 países, incluindo o Brasil, e aproximadamente 4.200 organizações. Este grupo abrange governos, o setor privado, povos indígenas, a academia e a sociedade civil, todos com o objetivo de promover medidas concretas para diminuir a dependência de combustíveis fósseis.

 

Os esforços da conferência estão focados em três eixos principais: a transformação econômica, a redefinição da oferta e demanda de energia e o fortalecimento da cooperação internacional.

 

Durante os primeiros dias do encontro, de 24 a 27 de abril, foram consolidadas as propostas que servirão de base para a Cúpula de Líderes, agendada para os dias 28 e 29. Os resultados esperados incluem a criação de mecanismos de cooperação entre as nações participantes e a elaboração de um relatório contendo diretrizes para acelerar a transição energética global.

 

Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, que lidera a iniciativa em conjunto com a Colômbia, destacou a relevância econômica dos participantes.

 

“Com mais de 50% do PIB global representado nesta Conferência, este grupo tem a capacidade coletiva de transformar essas cinco palavras em ações concretas”, disse Van Veldhoven.


“Com a crescente volatilidade no mercado de combustíveis fósseis, não há melhor momento para iniciar a transição para longe dos combustíveis fósseis, reduzindo o impacto climático, reforçando a independência energética e impulsionando o crescimento econômico verde”, completou.


O ativista socioambiental sul-africano Kumi Naidoo expressou sua percepção de que a conferência oferece uma chance única para estabelecer ações concretas, algo que a Conferência das Partes (COP), a cúpula anual das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, nem sempre consegue realizar.

 

“Queremos receber o que pedimos para a COP desde pelo menos 2009: um acordo fantástico, que seja justo, ambicioso e vinculativo. Na maioria das vezes, recebemos acordos superficiais, cheios de brechas”, disse Naidoo, que é o líder da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Treaty).


“Independentemente da qualidade do trabalho científico, precisamos garantir que o processo político esteja em andamento. Outros mecanismos e caminhos juridicamente vinculativos, como o tratado sobre combustíveis fósseis, são cruciais”, complementou.


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