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Brasil retira credencial de agente dos EUA após expulsão de delegado brasileiro

Decisão segue princípio de reciprocidade após saída de delegado da PF dos EUA. Governo anuncia mil novos agentes para reforçar fronteiras.

23/04/2026 às 10:47
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que determinou a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Lula declarou que essa ação representa o princípio da reciprocidade entre os países e reforçou a expectativa de que o diálogo seja restabelecido para que as relações voltem à normalidade.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", afirmou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.


 

A medida adotada pelo governo brasileiro foi tomada após o governo dos Estados Unidos exigir a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal, que exercia funções nos Estados Unidos. O delegado teria participado da operação que resultou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota publicada na rede social X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi comunicada no dia anterior sobre a decisão brasileira. Segundo o comunicado, o Brasil decidiu aplicar o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária dos Estados Unidos em relação ao agente da Polícia Federal, sem pedido de esclarecimento ou tentativa prévia de diálogo, conforme estabelece o acordo bilateral de cooperação policial.

 

A nota enfatizou que a decisão dos Estados Unidos não seguiu as boas práticas diplomáticas de diálogo entre países com uma relação de mais de dois séculos.

 

O comunicado destacou que o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento entre os governos brasileiro e norte-americano para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança, e confirmou a adoção da mesma medida em relação ao agente dos Estados Unidos.


 

Contexto do caso envolvendo os delegados

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do território americano. Embora o nome não tenha sido citado, a publicação indicava tratar-se do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi libertado em 15 de abril, após passar dois dias detido na Flórida. No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão por envolvimento em ações consideradas parte de uma trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato e deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena, passando a residir nos Estados Unidos.

 

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou em dezembro de 2025 o envio de um pedido formal de extradição de Ramagem às autoridades norte-americanas, ação conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Em abril deste ano, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem, realizada pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, foi resultado de uma cooperação internacional entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. O ex-deputado foi detido em Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira, com condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço no efetivo da Polícia Federal

 

No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou também a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal, que serão direcionados para reforçar as operações nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, essa iniciativa integra o compromisso do governo no combate ao crime organizado.

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