O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que determinou a retirada das credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.
Lula declarou que essa ação representa o princípio da reciprocidade entre os países e reforçou a expectativa de que o diálogo seja restabelecido para que as relações voltem à normalidade.
"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", afirmou Lula em vídeo divulgado nas redes sociais, acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
A medida adotada pelo governo brasileiro foi tomada após o governo dos Estados Unidos exigir a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal, que exercia funções nos Estados Unidos. O delegado teria participado da operação que resultou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de nota publicada na rede social X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi comunicada no dia anterior sobre a decisão brasileira. Segundo o comunicado, o Brasil decidiu aplicar o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária dos Estados Unidos em relação ao agente da Polícia Federal, sem pedido de esclarecimento ou tentativa prévia de diálogo, conforme estabelece o acordo bilateral de cooperação policial.
A nota enfatizou que a decisão dos Estados Unidos não seguiu as boas práticas diplomáticas de diálogo entre países com uma relação de mais de dois séculos.
O comunicado destacou que o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento entre os governos brasileiro e norte-americano para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança, e confirmou a adoção da mesma medida em relação ao agente dos Estados Unidos.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do território americano. Embora o nome não tenha sido citado, a publicação indicava tratar-se do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi libertado em 15 de abril, após passar dois dias detido na Flórida. No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão por envolvimento em ações consideradas parte de uma trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato e deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena, passando a residir nos Estados Unidos.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou em dezembro de 2025 o envio de um pedido formal de extradição de Ramagem às autoridades norte-americanas, ação conduzida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em abril deste ano, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem, realizada pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, foi resultado de uma cooperação internacional entre as polícias do Brasil e dos Estados Unidos. O ex-deputado foi detido em Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira, com condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.
No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou também a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal, que serão direcionados para reforçar as operações nos portos, aeroportos e regiões de fronteira. De acordo com o presidente, essa iniciativa integra o compromisso do governo no combate ao crime organizado.