O Banco de Brasília (BRB), instituição pública sob controle do Governo do Distrito Federal, oficializou a formação de um fundo com o objetivo de transferir ativos comprados do Banco Master.
A operação foi comunicada a acionistas, clientes e ao mercado financeiro por meio de nota divulgada na segunda-feira, 20 de maio, após a aprovação do Conselho de Administração da empresa.
A iniciativa visa comercializar ativos recebidos do Banco Master, adquiridos após a liquidação da instituição, que era controlada por Daniel Vorcaro. Vorcaro está atualmente preso, respondendo por crimes financeiros e fraudes.
Para a formatação desse fundo de investimento, o BRB assinou um memorando de entendimento com a Quadra Capital. O valor de referência da operação é de quinze bilhões de reais.
A Quadra Capital atua como gestora de fundos especializada em ativos de baixa liquidez, com forte presença nos setores de infraestrutura e logística. Em anos recentes, a empresa investiu na aquisição de concessões portuárias localizadas nos estados do Espírito Santo e Paraná.
De acordo com o BRB, a operação será composta por uma parcela financeira à vista, que deve variar entre três bilhões e quatro bilhões de reais. O valor restante, estimado entre onze bilhões e doze bilhões de reais, será integralizado por meio de cotas subordinadas do fundo de investimento estruturado para administrar e monetizar esses ativos.
A conclusão da transação está condicionada ao cumprimento de todas as cláusulas estabelecidas no memorando de entendimento firmado entre as partes.
Na semana anterior ao anúncio do fundo, a Polícia Federal efetuou a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.
Paulo Henrique Costa é investigado sob suspeita de ter desrespeitado práticas de governança e por facilitar negociações sem respaldo entre o banco público e o Banco Master. Há ainda a suspeita de que tenha recebido propina de cerca de cento e quarenta e seis milhões e quinhentos mil reais, supostamente pagos por Daniel Vorcaro para favorecer a aquisição do Master pelo BRB, transação que foi vetada pelo Banco Central.
Com a criação do novo fundo, o BRB busca fortalecer sua estrutura de capital e liquidez, aprimorar a administração de seu portfólio e promover a racionalização de seu patrimônio. A instituição considera essa transação uma etapa importante no processo de readequação, com a expectativa de impacto positivo sobre a liquidez, a gestão de ativos e o patrimônio do banco.