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Rendimento médio dos trabalhadores atinge 3.722 reais e registra novo recorde

No início de 2026, média salarial dos trabalhadores cresce 5,5% em um ano, segundo IBGE

01/05/2026 às 02:31
Por: Redação

O rendimento mensal dos trabalhadores do Brasil alcançou 3.722 reais no primeiro trimestre de 2026, estabelecendo um novo recorde na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. O aumento, já descontada a inflação, representa uma elevação real de 5,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

 

Pela segunda vez consecutiva, o valor do salário médio permanece acima de 3,7 mil reais, considerando o período de três meses encerrado em março de 2026. No trimestre imediatamente anterior, concluído em fevereiro, o rendimento era de 3.702 reais. Na comparação com o último trimestre de 2025, quando a média ficou em 3.662 reais, verifica-se uma elevação de 1,6%.

 

Fatores que influenciaram o crescimento salarial

 

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, um dos motivos que contribuiu para a ampliação do rendimento médio foi o reajuste do salário mínimo, que passou a valer 1.621 reais no início de janeiro de 2026.

 

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais [acima da inflação].”


 

A pesquisadora também ressaltou que houve redução de um milhão de ocupados no mercado de trabalho no primeiro trimestre de 2026, em relação aos três últimos meses de 2025, sendo que a maior parte desse recuo ocorreu entre trabalhadores informais – grupo que, em geral, possui rendimentos menores.

 

Assim, a renda média dos ocupados no início de 2026 superou a verificada no trimestre anterior, efeito atribuído à menor presença de informais no total da população ocupada.

 

Desempenho por setor e evolução da massa salarial

 

A pesquisa do IBGE, que contempla dez segmentos de atividades econômicas, apontou que oito deles mantiveram estabilidade no rendimento, sem flutuações significativas nos valores médios recebidos. Dois setores, entretanto, apresentaram crescimento nos salários: o comércio teve alta de 3%, o que corresponde a um acréscimo de 86 reais, enquanto a administração pública registrou elevação de 2,5%, equivalente a mais 127 reais.

 

Em relação à massa de rendimento dos trabalhadores, o total alcançado foi de 374,8 bilhões de reais, outro recorde desde o início da série histórica. Este montante representa a soma dos salários pagos a todos os trabalhadores, recursos utilizados para consumo, quitação de dívidas, investimentos e poupança.

 

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o valor total da massa salarial subiu 7,1% acima da inflação, o que significa um incremento de 24,8 bilhões de reais em um ano.

 

Contribuição dos trabalhadores para a previdência

 

No primeiro trimestre de 2026, a proporção de trabalhadores ocupados que contribuem para a previdência chegou a 66,9%, a maior já registrada pela pesquisa. Esse percentual representa um contingente de 68,174 milhões de pessoas com proteção social garantida.

 

A contribuição para institutos de previdência – federais (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estaduais ou municipais – garante direitos como aposentadoria, benefícios por incapacidade e pensão por morte. O IBGE considera como contribuintes todos os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que realizam contribuições para os sistemas oficiais de previdência.

 

De acordo com Adriana Beringuy, o incremento na participação de contribuintes está relacionado à redução da informalidade no mercado de trabalho:

 

“Os informais contribuem menos para a previdência.”


 

No trimestre encerrado em março de 2026, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, o que corresponde a 38,1 milhões de trabalhadores sem direitos trabalhistas formais. No final de 2025, esse índice era de 37,6% e, no primeiro trimestre de 2025, de 38%.

 

O IBGE esclarece que mesmo trabalhadores informais, como autônomos sem cadastro no CNPJ, podem contribuir individualmente para o INSS.

 

Mercado de trabalho e desemprego

 

A Pnad Contínua é o principal instrumento para análise do emprego no Brasil, avaliando o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, incluindo todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporários ou autônomos.

 

No primeiro trimestre do ano de 2026, a taxa de desemprego fechou em 6,1%, o menor percentual já registrado para o período. O critério para ser considerado desocupado, segundo o IBGE, exige que a pessoa tenha buscado ativamente uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa. Foram visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal para a coleta dos dados.

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