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Proposta de fim da escala 6x1 traz expectativa de mais folgas para trabalhadores

Trabalhadores aguardam mudanças que podem garantir dois dias de folga semanal e alterar jornada de 44 para 40 horas

01/05/2026 às 22:03
Por: Redação

O debate sobre o término da jornada de trabalho de seis dias consecutivos seguidos por apenas um dia de descanso semanal mobiliza trabalhadores em busca de mais tempo para compromissos pessoais, convívio familiar, lazer e oportunidades para pequenas viagens. Atualmente, para muitos profissionais submetidos ao regime 6x1, conciliar a vida doméstica e o descanso é um desafio recorrente.

 

O tema ganhou destaque nas manifestações trabalhistas ocorridas no feriado do Dia do Trabalho, em 1º de maio, sendo o fim da obrigatoriedade da escala 6x1 uma das principais reivindicações. Várias propostas legislativas que tratam dessa mudança tramitam simultaneamente no Congresso Nacional.

 

Darlen da Silva, balconista de farmácia de 38 anos que atua em uma drogaria no Rio de Janeiro, relata que apenas um dia de folga semanal não é suficiente para dar conta das demandas de sua rotina doméstica, que incluem tarefas como lavar roupas e fazer compras. Após cumprir essas obrigações, ela retorna ao trabalho ainda mais cansada.

 

“Tenho duas filhas, então para mim é muito corrida a minha folga. Tenho que fazer tudo dentro de casa, lavar roupa, fazer mercado. Não tenho descanso. Venho trabalhar mais cansada ainda no outro dia.”


 

Com registro em carteira há 15 anos, Darlen afirma que sempre atuou sob esse regime. Ela observa que para mães e mulheres a sobrecarga é ainda maior, pois as demandas se multiplicam. Entre seus colegas, a expectativa pela possível alteração da jornada de trabalho é constante.

 

Caso a legislação mude, Darlen já planeja dividir sua rotina semanal: um dia seria destinado a resolver questões domésticas e o outro seria reservado para descanso ou lazer, como passeios, já que, segundo ela, atualmente é preciso escolher entre cuidar da casa ou tirar um tempo para si.

 

Ela ressalta, no entanto, a necessidade de que a nova regra, se aprovada, seja efetivamente cumprida, principalmente em relação ao limite de 40 horas semanais. Darlen conhece pessoas que já passaram a usufruir de dois dias de folga por semana, mas, em contrapartida, tiveram a jornada diária ampliada para 11 horas, o que, para ela, não compensa devido ao cansaço acumulado.

 

Trabalhadores de diferentes setores relatam experiências semelhantes. O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, trabalha há uma década em restaurantes do Rio de Janeiro sob a escala 6x1. Ele afirma que utiliza a folga semanal principalmente para resolver assuntos da família, como compromissos escolares e médicos dos filhos, não restando tempo para o próprio descanso.

 

“A gente sempre tem que resolver alguma coisa da criança na escola, tem médico, sempre tem alguma coisinha para você fazer. Então, acaba não rendendo o seu dia de descanso. Sempre tem que fazer as coisas de casa.”


 

Alisson menciona que, com dois dias de folga, seria possível organizar as demandas domésticas em um deles e aproveitar o outro para lazer com a família ou planejar viagens de curta duração, algo inviável atualmente.

 

“Num dia você organiza as coisas de casa e, no outro dia, consegue passear com a família. Ou, se você vai direto do trabalho, consegue organizar até uma viagem. Com um dia só não, você não consegue fazer nada.”


 

Em São Luís, Maranhão, a cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, compartilha que, apesar de não acompanhar de perto os debates no Congresso ou no seu ambiente de trabalho, apoia a proposta de ampliação das folgas semanais. Para ela, além de cuidar da família, essa mudança permitiria dedicar mais tempo aos estudos, saúde, lazer e cultura, aspectos que considera essenciais para o bem-estar do trabalhador.

 

“Acho que todos nós trabalhadores temos o direito de ter no mínimo dois dias de folga. Cuidar dos nossos estudos, saúde, lazer, cultura e trabalhando nessa escala a gente só se acaba.”


 

Izabelle enfatiza que o acréscimo de um dia livre contribuiria significativamente para a organização da rotina familiar e o convívio com parentes.

 

Já a professora Karine Fernandes, de 36 anos, acompanha a discussão sobre a redução da jornada de trabalho pelas redes sociais. Embora não esteja submetida à escala 6x1, ela considera que a questão impacta a qualidade de vida de muitos trabalhadores e de suas famílias.

 

“Acredito ser uma discussão importante, que afeta significativamente a qualidade de vida de muitos trabalhadores.”


 

Karine ressalta a influência desse tema na convivência familiar, principalmente no desenvolvimento das crianças, e acredita que o tempo de qualidade entre pais e filhos potencializa o fortalecimento dos adultos no futuro.

 

“Como mãe, penso em como isso influencia a vivência de crianças que podem ter mais tempo de qualidade com suas mães e pais e como isso tem resultado direto no fortalecimento dos adultos que irão se tornar.”


 

Projetos para reduzir a jornada avançam no Congresso

Há algumas propostas em tramitação no Congresso Nacional com o objetivo de alterar a escala de trabalho vigente no país. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais, busca diminuir a jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, prevendo uma transição gradual de dez anos.

 

Outra proposta apensada, a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton, do Partido Socialismo e Liberdade de São Paulo, propõe a adoção de uma escala de quatro dias trabalhados por semana, mantendo o limite de 36 horas no período.

 

Além das PECs, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso um projeto de lei com pedido de urgência constitucional, cujo objetivo é abolir a escala 6x1 e estabelecer o limite de 40 horas semanais para a jornada de trabalho. Esse projeto, por tramitar em regime de urgência, deve ser votado em até 45 dias, sob pena de bloquear a pauta do plenário da Câmara dos Deputados.

 

A discussão sobre a flexibilização da jornada é vista como uma das prioridades da agenda trabalhista do governo federal, com expectativa de avanços nas próximas semanas conforme as propostas avançam nas etapas legislativas.

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