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Delegações de Cuba e EUA se reúnem em Havana com foco no embargo energético

Autoridades dos dois países discutem suspensão do embargo energético em reunião marcada pela defesa do respeito mútuo.

21/04/2026 às 12:14
Por: Redação

Em Havana, representantes do governo cubano receberam, recentemente, uma delegação oficial dos Estados Unidos para uma reunião de trabalho, conforme confirmou Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos, em declarações ao jornal Granma. O encontro ocorreu na capital cubana e contou com a participação de autoridades cubanas e norte-americanas de alto escalão.

 

Segundo Alejandro García, os membros da delegação norte-americana presentes eram secretários-adjuntos do Departamento de Estado dos EUA. No lado cubano, participaram representantes no nível de vice-ministro das Relações Exteriores. O diplomata ressaltou que a principal demanda apresentada pela equipe cubana durante a sessão de trabalho foi o fim do embargo energético imposto ao país pela Casa Branca.

 

Durante a reunião, os representantes de Cuba enfatizaram a urgência de suspender as sanções relativas ao fornecimento de energia, argumentando que a medida afeta toda a população da ilha. García destacou que nenhuma das partes estipulou prazos ou apresentou exigências coercitivas ao longo das conversas, contrariando informações veiculadas por alguns veículos de mídia norte-americanos. Ele classificou a troca como respeitosa e profissional, observando que encontros dessa natureza são conduzidos de forma discreta devido à delicadeza dos temas abordados na agenda bilateral.

 

Em relação à pauta central do encontro, García afirmou que o levantamento das restrições energéticas foi tratado como prioridade máxima pela delegação cubana. O diplomata classificou o embargo como um mecanismo de coerção econômica sem justificativa, atingindo toda a sociedade local. Ele também descreveu a medida como uma forma de pressão global sobre Estados soberanos, que, segundo ele, têm direito de realizar exportações de combustível para Cuba em consonância com os princípios do livre comércio.

 

Restrições dos EUA e impacto em Cuba

 

Desde 29 de janeiro, o governo dos Estados Unidos, sob comando do então presidente Donald Trump, intensificou o bloqueio econômico que já era aplicado contra Cuba. Por meio de uma ordem executiva, foi declarado estado de emergência nacional, qualificando Cuba como uma ameaça incomum e extraordinária à segurança dos Estados Unidos.

 

Essa decisão concedeu a Washington autorização para sancionar países que tentem fornecer petróleo à ilha, tanto de modo direto como indireto. Como resultado, Cuba tem enfrentado períodos de escassez de combustível, com reflexos no dia a dia da população local.

 

O governo de Cuba reiterou que permanece aberto ao diálogo com representantes norte-americanos, desde que a comunicação entre os países ocorra de maneira respeitosa e sem interferências.

 

Tendências para diálogo entre Cuba e Estados Unidos

 

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, declarou em entrevista recente ao veículo norte-americano Newsweek que vê possibilidade de conversas com os Estados Unidos a respeito de temas como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

 

Ele ressaltou que "o diálogo deve sempre ocorrer em termos de igualdade e com pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional".

 

Mais tarde, ao ser entrevistado para o programa Meet the Press, exibido pela NBC News, Díaz-Canel reforçou a disposição de Cuba em negociar, deixando claro o posicionamento do governo ao declarar:

 

"Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA."

 

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