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Brasil atinge 6,1% de desemprego no 1º trimestre, menor índice para o período

País tem maior número de pessoas ocupadas para o início do ano e informalidade cai para 37,3%

30/04/2026 às 23:38
Por: Redação

O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, marca superior aos 5,1% verificados nos últimos três meses de 2025, mas que representa o menor nível de desocupação já observado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) em 2012.

 

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio de Janeiro, o índice atual está abaixo do observado no mesmo período de 2025, quando havia chegado a 7%. Essa informação indica que, apesar do aumento em relação ao fim do ano anterior, o cenário de início de 2026 é o mais favorável dos últimos catorze anos para o período.

 

O levantamento do IBGE mostra que, desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava o patamar de 6%. No trimestre móvel fechado em fevereiro de 2026, o índice havia ficado em 5,8%.

 

A instituição ressalta que não recomenda a comparação entre meses consecutivos, devido à sobreposição de dados entre períodos — por exemplo, os números de fevereiro aparecem tanto nesta quanto na divulgação anterior. Por isso, as avaliações preferem a comparação direta com o quarto trimestre de 2025.

 

Panorama da força de trabalho

No desfecho do primeiro trimestre de 2026, 6,6 milhões de pessoas estavam em busca de uma colocação no mercado. Esse grupo, classificado como população desocupada, aumentou 19,6% na comparação com o último trimestre de 2025 — o que representa mais 1,1 milhão de indivíduos —, mas ficou 13% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior.

 

Em relação ao total de pessoas ocupadas, o país contabilizou 102 milhões de trabalhadores nos três primeiros meses de 2026. Esse número corresponde a uma redução de 1 milhão de ocupados em comparação ao fim do ano anterior, porém apresenta um acréscimo de 1,5 milhão na comparação anual com o primeiro trimestre de 2025.

 

Movimentos sazonais no emprego

A movimentação do emprego nos primeiros meses do ano seguiu padrões sazonais, conforme explicou a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy. O período é marcado por características próprias, como a diminuição de vagas temporárias e o recuo das atividades do comércio.

 

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”


 

Dos dez agrupamentos de atividades econômicas avaliados pelo IBGE, nenhum apresentou aumento no número de ocupados. Três setores registraram redução: o comércio, com queda de 1,5%, o que representa 287 mil pessoas a menos; a administração pública, com recuo de 2,3%, equivalendo a 439 mil postos eliminados; e os serviços domésticos, que encolheram 2,6%, com menos 148 mil trabalhadores.

 

Informalidade recua mesmo com alta do desemprego

Embora a taxa de desemprego tenha subido do fim de 2025 para o início de 2026, o país verificou diminuição no índice de informalidade, que chegou a 37,3% dos ocupados no trimestre terminado em março. Esse percentual representa 38,1 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada, sem direitos garantidos pela legislação trabalhista.

 

No último trimestre de 2025, a taxa de informalidade era de 37,6%. Um ano antes, no início de 2025, o índice estava em 38%.

 

Entre os trabalhadores do setor privado, o total de empregados com carteira assinada alcançou 39,2 milhões, sem variação estatisticamente relevante em relação ao trimestre anterior, mas 1,3% maior — ou seja, 504 mil pessoas a mais — em doze meses.

 

Já o contingente de empregados sem carteira assinada no setor privado diminuiu 2,1% no trimestre, o que representa 285 mil pessoas a menos, chegando a 13,3 milhões. Na comparação anual, o número se manteve estável, sem alteração estatística significativa.

 

O quantitativo de trabalhadores por conta própria permaneceu estável no trimestre, em 26 milhões. Em relação ao mesmo período de 2025, houve crescimento de 2,4%, o que equivale a mais 607 mil pessoas atuando nessa condição.

 

Método de apuração do IBGE

A pesquisa realizada pelo IBGE analisa o comportamento do mercado de trabalho para a população com 14 anos ou mais, abrangendo todas as formas de ocupação: com ou sem carteira assinada, trabalho temporário ou atuação por conta própria. Para ser considerada desocupada, a pessoa precisa ter procurado emprego nos 30 dias anteriores à coleta. O levantamento visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

 

A divulgação da Pnad ocorre logo após a apresentação de outro indicador do mercado de trabalho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que considera apenas os empregos com carteira assinada.

 

Segundo o Caged, o saldo de março foi positivo, com a criação de 228 mil vagas formais. No acumulado dos 12 meses anteriores, houve crescimento de 1,2 milhão de postos de trabalho com carteira assinada.

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